Tuesday, January 02, 2007

Stickers

A arte de rua no trânsito de Campinas : Jovens tentam mudar a paisagem visual do centro urbano com a colagem de adesivos artísticos. As pessoas mais atentas que transitam pelas ruas dos grandes centros urbanos, podem ter notado, em algumas placas e semáforos, imagens que vão além das mensagens propostas pelo código nacional de trânsito. O sticker, imagens impressas em alguma espécie de papel autocolante, é uma forma de arte de rua presente na cidade. “O sticker serve para tentar deixar as pessoas curiosas. Quero que elas percebam que entre os semáforos, concretos existe arte, protesto”, conta a Antropóloga e mestranda da Unicamp, Fernanda Sunega, que há três anos cola stickers pela cidade.
As imagens de stickers encontradas pelas ruas são variadas. Os desenhos são escolhidos livremente, de acordo com a mensagem que o autor queira informar e, muitas vezes, acabam se transformando na identificação do autor dentro do movimento dos stickers. “A minha intenção era fazer sticker de mulheres que são personalidades na militância feminista, aí comecei com a Angela Davis.Ela é referência no feminismo e tem uma grande história de vida que muita gente não conhece”, diz Fernanda que também é pesquisadora do movimento Hip-Hop e de rádios comunitárias.
O estudante de 17 anos, que prefere se identificar por “D. Sapuhh” conta que a pratica do sticker se divide em três modalidades, diferenciada pela material usado no trabalho. “Chamamos de ‘stick” o trabalho feito em papel adesivo e de ‘vinil’ são as imagens em plástico adesivas.Outro tipo de sticker são os “lambes”, que são feitos em papel normal e são fixados com cola branca ou com uma massa liquida feita de farinha ou polvilho”, diz o estudante que faz stickers há cerca de 4 meses.
Os locais escolhidos para se fazer as colagens são os que possuem maior circulação de pessoas, por isso é comum encontrar os adesivos em ruas como Francisco Glicério, Orosimbo Maia e nas proximidades da prefeitura e do centro de convivência da cidade de Campinas. “Escolhemos estas ruas porque queremos chamar a atenção. Não há problemas se alguém vá e arranque o adesivo, por que fomos notados. A pessoa questionará do que se trata aquilo”, afirma Sapuhh.
Tanto a antropóloga quanto o estudante contam que nunca tiveram problemas quando estavam fazendo as colagens e dizem fixar seus trabalhos em locais das placas que não venham a interferir a sinalização. “Eu colo a maioria atrás das placas ou em alguma parte que não interfira na mensagem dela, não atrapalhe a sinalização. Não adianta agente quere passa uma mensagem atrapalhando outra”, conta Sapuhh que gosta de fazer seus trabalhos com imagens que alertem contra o preconceito.
Obey e Shepard Farey
A prática do Sticker foi iniciada em 1989, pelo designer gráfico americano Shepard Fairey que criou o sticker “Obey o Giant”, disseminado com ajuda de amigos que colaram o stick por todo o país. Os stickers “Obey” se tornaram ícone de um movimento de protesto contra o poder político e o consumismo da sociedade atual e estão presentes em diversas galerias e ruas do mundo.
Legendas
Primeira e segunda imagem: Cleide Elizeu
Terceira imagem: Arquivo Sapuhh.
Ilustração: domínio "Obey"
Texto produzido para o "Jornal Saiba +" PUC-Campinas,2006.

5 comments:

pam said...

No mínimo, diferente. E obrigada pelas boas vibrações ;)

boboNá (namorada Sapuhh) said...

também colo sticker e gostei da forma como a reportagem foi feita, bem legal!
parabéns.

Anonymous said...
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Anonymous said...

Olá Menina!
Gostei do post, parabéns!
Também me aventurei colando adesivos por Campinas. Tem muitas fotos e textos à respeito no site www.alecarmani.com.br
Dá um pulo lá e complemente sua reportagem.
Abraços!
ALE

Kevin said...

Muito interessante a matéria, fora que discordo de alguns pontos, por participar do movimento sei como é, oque acontece e oque não acontece!

Mas mesmo assim vamo colaa!

http://www.fotolog.com/solosbrisa/

http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=12707162167983549715