Thursday, October 09, 2008

Brazilian Ten String Guitar

Terça passada, prestigiei mais uma vez, o trabalho de Ivan Vilela. Pra quem não conhece, o rapaz é um músico fenomenal. Toca uma viola que é uma proeza. É arranjador da Orquestra Filarmônica de Violas (divino), professor da USP e pesquisador da cultura popular. E o mais importante: uma pessoa simples e doce de dar gosto.

Pra quem precisa de referências midiáticas , o moço está na revista Bravo do mês de Setembro, indicado como favorito pelo músico Almir Sater. " O Ivan é um pesquisador que mistura viola com orquestra, mas não age assim pra chegar ao público erudito. Guia-se pelo coração. Na verdade, a platéia que curte viola se emociona tanto com as coisas mais singelas quanto com as mais rebuscadas. o caipira não é preconceituoso e até gosta de ouvir a viola de um modo diferente, porque acha que isso a enobrece. Todos os temas que já escutei do Ivan são bonitos...." (Almir Sater, Bravo. Setembro, 2008.)

Concordo plenamente com o Almir. Qualquer um que tenha um pedacinho de coração do lado esquerdo do peito se emociona com o som que ele tira da viola. Ah, e ainda, no show (ou canjão do IA), tinha uma menina tocando rabeca. Eu, sozinha em meio ao povo da Unicamp, dizia em voz alta: Que lindo, que lindo.

No fim do show, humildemente entreguei o nosso (meu, de Renatinha e Ina: As 3 Meninas) documentário pro Ivan. Dentro havia um pequeno bilhete com uns dizeres que a timidez impedia de dizer. Ivan, gentilmente, afirmou que só aceitaria o presente se fizéssemos uma troca: me presenteou com um CD com parte do show que ele apresentara no IA da Unicamp.

No encarte do CD, em meio à agradecimento para amigos, familiares, lê-se: Á Nhá-Chica, São Bene

dito, São Gonçalo, São Longuinho. Ao João Guimarães Rosa, mais uma vez e sempre.

João. Tinha que ter o João no meio. Sabe que só agora eu percebo o quanto ler "Primeiras Estórias” me influenciou. E muito mais do que esse codinome que uso no blog, mas na forma de compreender as pessoas, o mundo, suas diferenças.

João Guimarães Rosa, mais uma vez e sempre.

E Ivan na viola, por favor.

Monday, September 22, 2008

Em Brasília, 17hs e 38 min !

Não sei como tudo está aí. Só sei que aqui no centro do país o filme do Renato Tapajós ganhou destaque no caderno de cultura do Correio Brasiliense. Tudo isso no domingo, dia de maior circulação do jornal (que diga por passagem, um dos melhores jornais do país pra se trabalhar)! Fora isso, há um festival de cinema Europeu. Tudo muito legal e proibido pra mim que aqui, trabalho na parte da tarde.
No mais já aprendi que em Brasília, as ruas são largas e que tem uma tesourinha (espécie de rotatória) que pode te levar pras principais vias da cidade. Eixão, Sul, Norte, W3..Tem também que a L4, que nos leva até a UNB. À princípio tudo muito doido, mas depois de um dia rodando pela cidade, nota-se que tudo é muito organizado. Ah, o eixão fica interditado no domingo. Carro nem pensar. Só ciclistas e pedestres. E é verdade, os carros param na faixa para os pedestres!
O clima, dizem que é seco. Daqueles de fazer o nariz sangrar. Mas estamos com bastante sorte. Todos os dias chove a tardinha. Apesar desse "deleite", acordo de madrugada com muita sede! (não bebi, juro).
As pessoas daqui são simpáticas, bonitas, diferentes...Uma mistura diferente. Ah, todo mundo nota que somos paulistas. (Acho que é pela cor desbotada). Todo mundo é muito gentil, já tô até devendo aqui no restaurante e devo também pros meninos do quiosque do hotel.
Hoje no shopping (porque lá é o lugar mais barato pra se alimentar) percebi que os jovens trabalham de terno. As meninas muito bem arrumadas! E eu, arrastando chinelos, como sempre!
Ouvi milhões de vezes a seguinte frase: Brasíla é um bom lugar pra se trabalhar e estudar! Salários altos e boas universidades.
Ainda não encontrei nenhum político, mas já me avisaram que a dona Marisa, primeira dama, frequenta o salão de cabelereiro do nosso hotel. Se o hotel é chique? Não, ele deve ter sido, mas isso lá nos tempos da fundação de Brasília. Há quase 50 anos.
Por enquanto, ainda continuo dizendo que quero morar aqui.
Ah, Brasília é uma ilha, eu falo porque eu sei (depois explico o porquê)
Ainda não vi mendigo nas ruas. (mas me disseram que há sim). Eu acho que a Embrapa pagou pra eles sumirem das ruas. Acho mesmo!!

Saturday, September 20, 2008

Brasília

Catedral de Brasília
Que os anjos nos dêem forças pro trabalho da próxima semana!

Saturday, September 06, 2008

Perto do "Rio de Piracicaba"

Piracicaba? Adoro de paixão. Nem sei o porquê, só sei que adoro, muito.
...Podia até parecer que estava ali na janela do quarto do hotel, fotografando. Mas agora só me vejo lá na cestinha do balão. Voando. [Dor]...

Wednesday, August 13, 2008

Chen Tê ou Chui Ta?

A bondade é impossível, num mundo monitorado pelo egoísmo (li por aí)

A boa alma de Setsuan, de Bertold Brecht, conta a história de Chen Tê - prostituta moradora de Setsuan -, única pessoa da cidade a aceitar abrigar por uma noite os deuses que descem à Terra. Em retribuição à estadia, as divindades pagam Chen Tê que, com o dinheiro, consegue abrir uma tabacaria para se sustentar, largando a prostituição.

Temendo ser alvo de aproveitadores, a personagem se disfarça e adquire a identidade de Chui Ta, que se apresenta como primo da ex-prostituta. Assim, Chen Tê adquire uma personalidade oposta da sua. Enquanto que Chen Tê é incapaz de dizer não, sua versão masculina é um sujeito rígido com os negócios. Ele consegue afastar os miseráveis da cidade que vivem a lhe pedir favores.

Chen Tê se disfarça apenas para que os outros não façam mal à ela. Só quando está vestida de homem é que consegue impedir que os outros a enganem. (Baseado em texto da Revista Bravo).

PRECISO URGENTEMENTE ME TRANSFORMAR EM CHUI TA. MAIS UMA DESSAS DE LASCAR O CANO (COMO DIRIA O MEU PAI), EU NÃO AGUENTO (MESMO SE A MINHA VIDA TIVESSE SEMPRE O BOM HUMOR DE UMA PEÇA DE BRECHT)!

Monday, August 11, 2008

Congestionamento Militar

TPM. Viagem pílula pra São Paulo. Congestionamento? Acreditem, só esse daqui de Campinas.

Pouca paciência e muitos minutos perdidos atrás desse povo

Saturday, August 09, 2008

Pedaço de mim...

Essa semana descobri uma pasta na rede do meu trabalho. Músicas de um ex-funcionário.

-“Ah, ele deixou eu copiar as músicas e pra continuar na rede”, alertou Abigail.

Entre Black music nacional e internacional, pagode, sertanejo e até uma pasta intitulada “zoeira” que possuía curiosidades como canções do Tiririca e das Frenéticas, havia a discografia (ou parte) de Chico e Caetano. E lá, para mim, uma relíquia: O álbum “Chico Buarque- História da Música Popular Brasileira –Série Grandes Compositores”

Esse álbum, lançado em 1982, pela editora Abril, era uma espécie “LP revista”, que juntava o famoso bolachão e páginas com as letras e a história, comentários de cada canção. Um primor!

Meu pai tinha um exemplar da coleção. Chico Buarque. Lembro-me que era comum nas manhãs de domingo, depois de voltar da feira semanal, a disco ser colocado na vitrola. “Joga pedra na Geni” podia-se ouvir de longe. Meu pai apreciava cada música e fazia questão de contar o significado político de “Meu caro amigo”, ou desvendar o quem seria a tal Geni. E o zepelin? Ah, ele ajudava todas as canções virarem um filme na minha cabeça de criança.

Quando ouvi o tal álbum por entre os arquivos de MP3, naquela ordem e sequência que há tempo não ouvia, confesso: parei de trabalhar pra colocar os tais filminhos de criança na minha mente de 26. Voei.

Chico Buarque

História da Música Popular Brasileira

Série Grandes Compositores

Thursday, August 07, 2008

Uma casinha lá na Marambaia (mas sem praia)...

Imagine não precisar pegar ônibus, enfrentar engarrafamento, demorar horas pra chegar no trabalho. Imagine não precisar pagar aluguel. Imagine ter por perto um, dois, três, lagos pra pescar, campo pra jogar futebol, pista para caminhada (ou cooper), parquinho e escola para os filhos. Ah, imagine ter uma casa com varanda, janelas coloridas, sem muros (só se for de arbusto!), alguns vizinhos, cachorro preguiçoso, rede de balanço preguiçosa..

A vida é assim pra quem trabalha em uma das fazendas do lugar onde trabalho! Ah, você não vive sem uma cidade, um shopping por perto? Não há problemas. A fazenda, ou centro de automação, fica há cinco minutos de Jundiaí, cidade que possui como quintal as cidades de Campinas e São Paulo. De um lado Jundiaí, do outro mata Atlântica. Ah, tem mais! Você gosta de cinema, gosta mesmo? Então também seria perfeito pra você. Lá na fazenda, tem uma sala de cinema, sabia? Tem um projetor (empoeirado) 35mm. Fora as primaveras de todas as cores pela fazenda....

Tudo isso pra todos que trabalham lá, desde o trabalhador braçal, que trabalha no campo, até o diretor do centro de automação.

E quando chove, a tardinha, os meninos não tem medo, não cancelam o futebol. Jogam na chuva mesmo. E as mães suspiram ao verem seus filhos jogando. E elas reluzem o quanto é bom morar ali.

Quem não quer?

É mais ou menos assim.....

.....Quando chega o verão Eu sento na varanda Pego o meu violão E começo a cantar E o meu moreno que esta sempre bem disposto Senta ao meu lado e começa a cantar Quando chega a tarde Um bando de andorinhas Voa em revoada Fazendo Verão E lá na mata o Sabia gorgeia Linda melodia Pra alegrar meu coração As seis horas o sino da capela Toca as badaladas Da Avé Maria A lua nasce por detrás da serra Anunciando que acabou o dia! (Marambaia, Teresa Salgueiro)

Wednesday, July 23, 2008

Dear Diary

Querido Diário,
Hoje, no meio de uma reunião, recebi uma ligação fofa de Lili me convidando pra ver o Zuenir Ventura. Tá que eu trabalho 10hs por dia e não pude ir, mas pelo menos voltei pra reunião feliz, com uma cara marota! Essa tal de Lili é muito fofa, muito fofa mesmo! Ah, também almocei com "Ina Coca-Cola"!! Eu, "Menina Guaraná" sentia tanta saudade dela, tinha tanta coisa pra contar que acabei me embolando e não contando nem 10% do que eu queria. Lembrei de mais uma coisa, querido diário. Quase acabei com as bolachas Maria e rosquinhas de coco, durante a reunião! Sem a menor vergonha na cara memo!!!
Enfim querido diário, o dia foi feliz, muito feliz!!!
Menina Guaraná e Ina Coca Cola de sorrisos largos, nos tempos antigos.

Saturday, July 12, 2008

FestPaulína: vestido de gala com botinas

Nos últimos dias Paulínia "a cidade feliz" foi notícia de jornais e revistas de circulação nacional. Tudo por conta do I Festival Paulínia de Cinema. Pólo de cinema com direito a Film Comission e um luxuoso e quase perfeito "theatro" que abrigou os 8 dias do festival. Atores, cineastas renomados, críticos de cinema e platéia atravessaram o luxuoso tapete vermelho que orientava todos até a premiação personificada na estátua da "poposuda" menina ouro. Pauliniawood! Tudo quase perfeito!

A rica cidade, alimentada pelo pólo industrial que tem como atriz principal a refinaria de petróleo, é uma pequena cidade e ainda alimenta os hábitos de cidade pequena. E isso tem seu lado bom e ruim. Pude provar e comprovar isso!

O mega evento ocorrido nessa semana, não teve uma equipe de cerimonial muito articulada, o que resultou em atrasos de horas na programação diária. Azar o meu, que por não possuir um veículo de locomoção próprio, paguei certos "micos" como ter que sair no meio da sessão de filme como o de Walter Lima Jr. Eu, ser estranho, levantando e saindo de um teatro lotado com quase 1300 pessoas! Precisava pegar o busão!

Depois de vergonhas como essa, decidi abrir a mão e me planejar pra pegar um taxi no final da programação de ontem. Precavida que sou, falei antecipadamente com um taxista que me passou o celular de vários taxistas da cidade. Seria só chamá-los.

O filme "Feliz Natal" de Selton Melo (depois escrevo sobre os dois) terminou à quase meia noite. Kamis, minha irmã e eu, fizemos uma social no hall do teatro e decidimos ligar para os tais taxistas. Nenhum atendia os celulares, telefones fixos, sinal de fumaça e nem nada.

Nos dirigimos até a rodoviária e encontramos um guarda municipal que fechava os portões do tal Rodoshoping de Paulínia. "A rodoviária fecha a meia noite, jovens!". Essa boa alma, Seo Odair, percebeu que estávamos perdidas em todos os sentidos. "Não, não vou deixar vocês, duas jovens sozinhas aqui". Resultado: "Seo Odair" chamou uma viatura que nos trouxe até Sumaré (e levou também duas meninas de São Paulo para um Hotel da cidade. Elas não tinham condução para levá-las até lá e estavam com medo de ir a pé, numa avenida que não tem iluminação).

Tá aí, Paulínia não está "acostumada" a abrigar grandes eventos (ainda não acredito que não havia taxistas espertos atentos ao evento), mas ainda abriga pessoas de boa alma, como o policial Seo Odair e os outros da viatura!

Grande experiência a de andar em uma viatura de bancos duros e vidros à prova de balas, "que é pra pegá os ladrão, né"?!

E os filmes, o principal? Depois escrevo sobre. Muito, muito bom!

Monday, June 02, 2008

Sobre Sandras, Hivnas e Malus

Uma estrela em linha de passe Gilberto Dimenstein
Sandra em cena do filme "Linha de Passe"
O desfecho previsível da vida de Sandra Corveloni seria a derrota profissional -migrante, filha de pais quase sem escolaridade, moradora da periferia de São Paulo e estudante de escola pública. Mas nenhuma atriz brasileira veio de tão baixo e subiu tão alto em reconhecimento internacional. Como ela ultrapassou tantas barreiras para ser eleita, na semana passada, a melhor atriz no Festival de Cannes?
Apenas o seu talento não explicaria esse desfecho. Nem a habilidade de seus diretores, Walter Salles e Daniela Thomas, no filme "Linha de Passe", em que Sandra é uma mãe enfrentando as agruras da periferia, onde a falta de perspectiva transforma o futebol num dos poucos sonhos disponíveis aos jovens. Para ir tão longe, Sandra precisou colocar-se, na própria vida, na linha de passe desde menina, ela precisou se meter num roteiro de aprendizados.

O caso dela me levou a tentar comprovar o que tenho observado em personagens periféricos que se destacam profissionalmente: além do talento e da força de vontade acima da média, existem sempre fortes referências familiares associadas ao prazer ou à importância do aprender. Pedi-lhe que contasse sobre as figuras marcantes de sua vida. Sobressaiu a imagem do avô, José Crepaldi, agricultor, pobre, que pouco freqüentou a escola, mas vivia agarrado a um grosso livro de veterinária. "O livro e meu avô eram quase inseparáveis. Era a sua bíblia." Lia e observava, curioso, como os veterinários profissionais tratavam os animais. Gravava o nome dos remédios e dos tratamentos. Aquele agricultor, mesmo sem escolaridade, virou um veterinário autodidata e começou a ganhar alguns trocados porque era chamado para tratar de animais. A menina carregou para sempre a imagem do avô, em deleite, agarrado ao livro esgarçado. O velho morreu pobre -mas realizado.

Clarice, a mãe de Sandra, nunca foi à escola, mas também trouxe de casa - ela já observava o pai encantado com a veterinária- a importância do conhecimento. Do seu jeito, ela percorreu a mesma trajetória do prazer em aprender: inventava receitas, criava modelos de roupas ou construía móveis. "Minha mãe sempre tinha uma história para contar de alguma coisa que ela tinha feito." Nem que fosse a adaptação de uma receita de bolo que ouvira no rádio ou na televisão. Exigia que a filha estudasse e que as lições, que lhe eram incompreensíveis, estivessem bem-feitas.

Sandra não precisava receber cobranças. Lembra-se de uma professora da primeira série, chamada Dona Gema, que dava ares de festa para a escola. Ensinava cantigas de roda, contava histórias tiradas de livros coloridos, convertia papel e cola em peças de arte. Durante toda a sua trajetória em escola pública, sempre participou do que lhe ofereciam: grêmio, dança, coral, gincana, teatro, jornal. Todo esse entusiasmo cultural dava-lhe satisfação, mas dificilmente seria fonte de renda. Ingressou num curso técnico gratuito do Senai e, depois, entrou numa faculdade de engenharia, algo que nem remotamente seria acessível a qualquer pessoa de sua família. Não era o suficiente. Podia ter parado aí, com salário, carteira assinada, e já estaria muito bem.

Sua paixão estava na carreira de atriz, descoberta desde que participou de oficinas gratuitas no Sesc. A ex-futura engenheira química preferiu o palco e partiu para estudar teatro no Tuca. Fez de tudo para sobreviver. Até animação de festinha infantil. Possivelmente ser a estrela reconhecida em Cannes era, até a semana, passada, uma possibilidade tão remota quanto seu avô, autodidata, ter sido tratado como doutor. Além do reconhecimento artístico, o prêmio serve como condecoração ao prazer de se reinventar de uma uma menina que ganhou holofotes em Cannes, mas cujo futuro começou a ser escrito com palavras científicas de um obscuro livro de veterinária.

PS- Para participar do filme "Linha de Passe", Sandra teve de voltar a morar na periferia. Viu e sentiu a desesperança dos jovens, fora da linha de passe, morando em ambientes esgarçados - estão mais próximos da linha de tiro. Isso ajuda a explicar o inferno das escolas, onde professores são vítimas da violência cotidiana de tentar ensinar indivíduos sem perspectiva, muitos dos quais nunca viram um adulto perseguindo um projeto e apostando no conhecimento. Como estamos metidos numa espécie de guerra civil, reflexo da marginalidade juvenil, o caso de Sandra é um roteiro que mostra que o combate à violência começa com a possibilidade de que cada indivíduo se sinta capaz de descobrir um talento, o que começa na família e prossegue na escola.

Coluna originalmente publicada na Folha de S.Paulo, editoria Cotidiano. Concordo em gênero, número e grau com o Dimenstein. E sobre a Sandra: tudo que li sobre ela essa semana, me emocionou muito. Sandras, Malus e Hivnas: três mulheres que não desistiram, por mais que tudo parecesse impossível.....Parece que o mundo, na semana passada queria me passar uma mensagem. É mundão, eu acho que entendi.

Saturday, May 31, 2008

Dímelo

Si he muerto y no me he dado cuenta

A quién le pregunto la hora?

Dime, la rosa está desnuda

O sólo tiene ese vestido?

Por qué los árboles esconden

El esplendor de sus raíces?

Quién oye los remordimientos

Del automóvil criminal?

Hay algo más triste en el mundo

Que un tren inmóvil en la lluvia?

Es verdad que las esperanzas

Deben regarse con rocío?

Thursday, May 22, 2008

Maio de 68 (2008) - 1

Na terra de cegos
quem tem um olho
EMIGRA!!!

Sunday, May 18, 2008

Funk como le gusta

Não tem caixa de som que não balança!!
Fotos: Alguns anos átras, por Evinha

Saturday, May 03, 2008

Agrishow

É...eu adoro Ribeirão Preto!!!
Eu nem importo se nessa ultima semana, São Pedro nos agraciou com uma puta chuva que fez com que, pelo menos duas calças minhas e um minha bota esteja besuntada de lama.
Eu nem me importo de ter dormido mal e estar com torcicolo.
Eu nem me importo por ter usado um uniforme estranho que me deixava parecendo um machinho.
Eu nem me importo por estar com os cabelos sujos e unhas encardidas!!!
Porque o que realmente importa é que o povo de Ribeirão me fez feliz. Deixa eu explicar..
O garçon do Pinguim queria me impedir de beber uns copinhos de chopp!!! Porque?! Ele achou que eu tivesse menos de 18 anos!! Eu, "di menor", com 26 anos!!!
Ganhei a semana!!
Ah, Jojo. A expressão "Bem" ainda está em uso aqui em Ribeirão. Ouvi algumas vezes...Também não dirigi trator. Mas peguei carona no trio elétrico da Massey, serve? (me senti a Ivete Sangalo!!..rs)
Carona no Trio Elétrico: Céu azurrrr
Furia de São Pedro: Agrilama
Pé de barro!

Barro?

As nossas meninas Jerseyzinhas!

Friday, March 21, 2008

Sobre cinema, debates e conversas

Pelo menos duas frases interessantes que ouvi essa semana:
***********************************************“O bom do cinema é que nele você pode fazer o que quiser”
Frase do filme Baixio das bestas, repetida pelo seu autor (e diretor do filme) Cláudio Assis, em debate nEspaço Cultral CPFL.
************************************************************************************* *************************************************************************************
“Eu fiz cinema, C.petit !!! Ele está gravado minha cabeça. Talvez um dia eu faça filme, mas cinema eu já faço!”
Frase de um certo rapaz muito (mas muito) especial durante conversa pelo telefone.

Thursday, March 13, 2008

Sobre sabedoria popular brasileira

Chuva, congestionamento na Av. Brasil, ônibus lotado.

Motorista fala para os passageiros que estão lá na frente:

- Êh chuvão..Quando eu era pequeno, minha mãe não deixava eu brincar na chuva. Ela dizia que era perigoso, pois se aparecesse um arco-íris, eu poderia passar embaixo e virar mulher. Homem virava mulher, mulher virava homem. Eu tinha medo. Saudade de minha mãe...

Ele pensa um pouco e continua...

- Se bem que hoje, se contassem essa história ninguém teria medo. Tem mulher que é homem, homem que é mulher. Sei lá...Talvez esse povo doido são os que passaram por baixo do arco-íris...

O ônibus caiu na risada. E seguimos viagem...

Engraçado, como tem gente que não consegue notar o valor e a riqueza de um bate papo, de um causo que escutamos por aí...

Eu faço questão de ficar com os ouvidos bem abertos pra eles. Adoro

Monday, March 10, 2008

Sobre o filme "A alma do osso"

Ermitão, segundo o dicíonário, é a pessoa que vive no ermo, solitário. Dominguinhos da Pedra, personagem do documentário “A alma do Osso” vive solitário numa caverna do interior de Minas Gerais. Por isso, pode ser considerado um ermitão.

O documentário de Cao Guimarães, logicamente, fala da solidão. Vem a desvendar a verdadeira faceta de alguém que escolhe ou é levado a viver só. A história de Dominguinhos, retratada primeiramente por imagens em super 8, repleta de texturização, coloca em imagem e movimento os delírios onde está contida as indagações, medos, sonhos do personagem.

O corpo de Dominguinhos fala.. Seus pés, unhas, postura, ações lentas dentro da pequena caverna, contam a história de Dominguinhos. Em um primeiro momento (e talvez também em um segundo) não são necessárias palavras. A paisagem local e o cenário de vida daquele ermitão são partes dos membros que compõe o homem Dominguinhos.

Cao parece testar o espectador, apresentando o personagem nos 15 minutos iniciais através do ritual do café da manhã. Ali, o diretor oferece elementos para formular um porquê de se viver assim. Talvez a frase de Guimarães Rosa “Solidão é gente demais”, pode ajudar a pensar que Dominguinhos poderia ser um homem com aversão à pessoas. Porém, seja lá qual for a idéia que se tenha no final daqueles 15 minutos silenciosos do documentário, esta é quebrada com a confirmação de que o personagem é na verdade, uma apreciador de uma boa prosa, de um bom bate papo.

Dominguinhos tem medo. E confessa aos turistas visitantes seus medos através da história do homem que mataram sua carne, mas não seus ossos e que por isso, não morreu e sobre a luz do corisco. Os turistas, atrás da cerca, observam, escutam as palavras balbuciadas pelo velho homem e depois se vão. Dominguinhos confessa no olhar sua solidão. Ele é “A alma do osso”, não só pelo seu corpo magro, mas pela vida de quem tem sua carne ignorada pela comunidade como morta, mas que mantêm seus ossos vivos: Dominguinhos não morreu.

*Texto elaborado a partir de decupagem feita em classe, pelo diretor Marcelo Gomes e de algumas tantas idéias e opiniões minhas.

A alma do Osso. Cao Guimarães. 2004. 74min.Vencedor do prêmio de melhor filme nacional e estrangeiro do Festival "É tudo verdade" em 2004. Infelizmente, inédito nos cinemas do país,

Friday, February 29, 2008

Sobre a conjuntivite

Doença que aflige meus olhos há pelo menos 3 semanas!!! Doeu, coçou e nesse meio tempo criou uma nuvem nos meus olhos.

A nuvem conseguiu fazer com que tudo parecesse um sonho. Sonho com direito à bons momentos, lindos gestos e agora, um belo pesadelo.

Já sei que a nuvem está passando, mas o céu que se abrirá é diferente. O sol deste céu é forte, arderá as minhas pupilas. Isso dói também.

E aí enxergarei que o pesadelo nem é tão feio assim....Quem sabe nem seja um pesadelo!!

Talvez o susto, o medo do novo, o medo do desconhecido, me fizeram pensar assim. Logo meus olhos se acostumam.

É tempo "de mim".

Monday, February 18, 2008

Sobre Berlinale

Abaixo os vencedores da 58º Edição do Festival de Cinema de Berlim:

Urso de Ouro: "Tropa de Elite", de José Padilha (Brasil).

Prêmio Especial do Júri: "Standard Operating Procedure", de Errol Morris (EUA).

Urso de Prata de Melhor Diretor: Paul Thomas Anderson, por "Sangue Negro" (EUA).

Urso de Prata de Melhor Ator: Reza Najie por "Avaze Gonjeshk-ha" ("The Song Of Sparrows"), de Majid Majidi.

Urso de Prata de Melhor Atriz: Sally Hawkins, por "Happy-Go-Lucky", de Mike Leigh.

Urso de Prata de Melhor Roteiro: "Zuo You" ("In Love We Trust"), de Wang Xiao Shuai.

Urso de Prata pela Contribuição Artística: "Sangue Negro" (EUA).

Prêmio Alfred Bauer: "Lake Tahoe", de Fernando Eimbcke (México).

Prêmio da Crítica Internacional FIPRESCI: "Lake Tahoe", de Fernando Eimbcke (México).

Prêmio Anistia Internacional: "Sleep Dealer", de Alex Rivera (México-EUA).

Prêmio Geração 14plus: "Café com Leite", de Daniel Ribeiro (Brasil).

Friday, February 15, 2008

Sobre o filme Sombras de Goya

No final do filme "Sombras de Goya", do diretor Milos Formam, o destino do personagem de Javier Bardem é celado ao som da trilha da música "El canto de pelele". A canção, que faz parte do repertório das músicas populares da espanha possui diversas variações e, pela minha rápida pesquisa na net, também cantada em manifestações políticas. Abaixo, segue trecho da música na versão apresentada no filme "Sombra de Goya"

El canto de Pelele

El pelele esta malo, que le daremos?

El pelele esta malo, que le daremos

Una zurra de palos que le matemos

Una zurra de palos que le matemos

El pobre pelele tiene empelelao

Se tienta lo suyo, lo tiene arrugao

Le da con el dedo, lo quiere mullir

El pobre pelele se quiere morir.

Francisco Goya. El Pelele, 1792.

Tuesday, February 12, 2008

Sobre os chinelos "baleiinhas"!

Estes são os belissímos chinelos que comprei pela bagatela de R$4,80 em uma das maiores loja de trecos chineses de Campinas.

Sim, minha gente! Aconteceu comigo. Minha rasteirinha quebrou em pleno centro da cidade, justamente no horário que as ruas ao redor da 13 de maio costumam estar lotadas!

Sorte minha, ter a lojinha dos Chineses do outro lado da rua, o que me fez andar mancando só por alguns metros. Sorte minha, ter a companhia da Érika pra me ajudar a rir da cara das pessoas que avistavam o meu chinelinho azul royal por entre o balançar da minha pantalona indiana!Super sexy!!

Tudo bem que os vendendores das lojas que entramos me ignoravam. Tudo bem que eu sentia que os chinelos eram tão fraquinhos que se eu entortasse o pé (coisa bem comum de se acontecer comigo) a baleiinha se partiria no meio.

Nem liguei(mentira). Arrastava bastante os pés pra chocar. As baleiinhas chocavam!Érika tentou me consolar dizendo que o chinelinho era bonito pra se deixar no cantinho do banheiro. - "Pra tomar banho, boba!!"

Me convenceu. As baleiinhas serão minhas companheiras nos próximos dias em que ficarei em casa, com os olhos lindos. Cheios de conjuntivite....

Friday, February 08, 2008

Saldo positivo

-1 bico de quase choro no trabalho -Notícia de um amigo que poderá vir aqui pra perto -Ouvir "Eu te amo" de duas pessoas especiais. -Planejar e concretizar o presente mais "amelístico" que já fiz. -Receber a ajuda de um "anjo Cícero" pra entrega do presente. -Saber que consegui arrancar um sorriso de uma das pessoas que mais amo. Tudo isso valeu (muito) os calor que o all star novo trouxe!!

Monday, January 21, 2008

Sobre Mutum

Palmas, palmas e mais palmas para Sandra Kogut, diretora do Filme Mutum e palmas para João Guimarães Rosa, escritor (meu predileto) de Campo Gerais ou Manuelzão e Miguilim, livro no qual Sandra se baseou pra fazer o filme. * * De se emocionar do começo ao fim da película. E depois, ao relembrar também (sabe comé...eu choro muuito!!)

Thursday, January 17, 2008

Sobre recadinhos pra Manu

No último sábado recebi o anúncio de um presente que em breve se concretizaria:
* Mensagem de celular:
12.01.2008 - 16:49 Manu Flor
Tem como nos vermos amanhã a tarde em Campinas?
*
Manu Flor, é uma grande amiga que fiz por meio do cerébro eletrônico.Em uma brincadeira da comunidade da Amelie Poulain, encontrei e adotei uma irmã. Trocamos scraps, msn, (cartas mágicas) e telefonemas. A Manu mora longe. Ela é a flor mais bonita de Jericoacora e concidentemente, tem parte de suas raizes aqui, em Campinas.
*
Enfim. Manu estava por aqui e no domingo acabamos nos encontrando no shopping Iguatemi.Ela dizia que queria assistir o filme "Garoto Cósmico".Topei, claro mesmo tendo certeza que o filme não estaria em cartaz lá. Na verdade, até duvidei que esse filme viria pra cá tão cedo. Ficamos cerca de duas horas conversando. Tempo pouco. Nos despedimos com dor no coração. Eu, emocionadíssima.Imediatamente senti saudades. Entre as nossas conversas reclamei, de Campinas. Disse que o filme demoraria meses pra chegar aqui e que se chegasse, não passaria ali, no Iguatemi.
*
MANU! O FILME VAI ENTRAR EM CARTAZ AMANHÃ LÁ NO PARADISO!!!
*
Volta pra assistir!!
Volta pra conhecer o Paradiso!
Volta pra conhecer o clube informal!
Volta pra tirarmos pelo menos uma foto juntas!
Volta pra passarmos horas e horas conversando!
Volta pra ver que Campinas nem é tão ruim assim.. é até pertinho de São Paulo...rsrs
*
Saudades já, minha amiga!

Thursday, January 10, 2008

Sobre pé na estrada, Henfil e ouvidos de fofoqueira

Ontem eu e o Lindoviski visitamos a USP. Ele pra fazer a prova específica do vestibular de Audiovisual e eu, além de acompanhar, dar força, carinho e atenção, conhecer a maior universidade do país.
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Enquanto esperava o tempo das provas, que não eram lá muito sérios e pontuais, observei muito em compania de Henfil e de Guimarães Rosa. Li e me diverti com as cartas de Henrique de Souza Filho - cartunista, quadrinista, jornalista, humorista - para seus amigos e familiares no período em que viveu nos EUA. Tudo no livro delicioso de se ler "Diários de um Cucaracha". E também averiguei umas palavras de João (meu preferido) em "Grandes Sertões: Veredas".
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USP X UNICAMP
Não posso dizer que conheci muito, mas a viagem até a Poli, deu pra me oferecer a noção de que a USP é grande, muito maior de enorme de grande se comparada a Unicamp. Mas a diferença, termina aí.
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A USP tem o mesmo clima lelé da Unicamp. Mesmo que esteja um sol de rachar o coco em alguns cantos, à sombra, há um friozinho estranho. Imagino que no inverno, a universidade dos Jardins também se assemelhe às temperaturas da universidade de Barão Gelado.
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Lá também tem gramado verde (como no IA), jardins bem cuidados, iluminação diferenciada, restaurantes, lugares com poucas árvores, lugares com muita árvore, gente fazendo cooper, gente fazendo hora (eu!!), gente fazendo nada. Enfim, gentes muito simpáticas e outras nem tanto.
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Documentário
Enquanto o pessoal fazia as provas do vestibular, um grupo de veteranos gravava imagem e entrevistava os futuros bixos pra um documentário. (como eu soube disso? porque além do meu querido ouvido jornalístico os veteranos falavam alto, muito alto, à ponto de tirar a minha concentração na leitura do livro que eu lia).
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Não gostei muito não, sabe? Me incomodava a forma como as sonoras eram feitas. O pessoal entrevistava e aproveitava pra aplicar uns trotes nos futuros bixos. Brincadeiras sadias, mas que na minha opinião acabavam intimidando os candidatos às vagas da USP. Questionava como aquilo poderia influenciar as respostas das perguntas "sérias" que seriam usadas no doc.
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Depois, mais tarde, quando já tinha terminadado a leitura do livro do Henfil e parti pro de Guimarães Rosa, fui interrompida com um diálogo filosófico que discutia a partir de idéias de Sócrates e Platão a imparcialidade e o conceito de verdade e como aquilo influenciava o modo de se fazer um doc.
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Tá, a verdade ali no doc, acaba sendo a verdade dos diretores (no caso, veteranos) que iriam entrevistar, captar, editar e tals. E a dos candidatos a bixos (nas sonoras). Mas será que as tais brincadeiras dos veteranos, não poderiam modificar mais as sonoras dos vestibulandos? Será que as expressões, respostas, sotaques, tics, sentimentos dos vestibulandos não estariam infectadas pelo pequeno trote aplicado anteriormente?
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Não sou contra trote, brincadeiras e essas coisas não. Mas questiono se tudo aquilo era adequado naquele momento. Bom, mas eles podem usar imagens do trote no doc. Aí são outros quinhentos. E então tudo o que eu escrevi é besteira. É Top, top, top pra mim. Enfim, esquece.
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SP
Ontem notei que prefiro muito mais o centro antigo, cinza e sujo, com direito à Teatro Municipal, Viaduto Santa Ifigênia e do Chá, do que as ruas limpas e verdes dos Jardins. Não sei por que, mas só sei que foi assim.
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E bom mesmo foi acompanhar Lindoviski. Ver o menino se deliciando de estudar de madrugada, se esforçando pra acordar bem também de madrugada, correr atrás de ônibus na Cruzeiro do Sul, congestionamento, sol quente, se perder e se achar na usp, enfrentar prova, carregar bolsa e mochila pesada, despencar e cochilar no Cristália rumo à Campinas, se arrastar até o ponto de ônibus questionando a pequenice da cidade em comparação à metrópole paulistana e a grandiosidade de Campinas perto de Sto. Antônio de Posse, comer pãozinho de forma com presunto e queijo, tomar um banho e dormir. Tudo isso. E juntos.