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Saturday, July 12, 2008

FestPaulína: vestido de gala com botinas

Nos últimos dias Paulínia "a cidade feliz" foi notícia de jornais e revistas de circulação nacional. Tudo por conta do I Festival Paulínia de Cinema. Pólo de cinema com direito a Film Comission e um luxuoso e quase perfeito "theatro" que abrigou os 8 dias do festival. Atores, cineastas renomados, críticos de cinema e platéia atravessaram o luxuoso tapete vermelho que orientava todos até a premiação personificada na estátua da "poposuda" menina ouro. Pauliniawood! Tudo quase perfeito!

A rica cidade, alimentada pelo pólo industrial que tem como atriz principal a refinaria de petróleo, é uma pequena cidade e ainda alimenta os hábitos de cidade pequena. E isso tem seu lado bom e ruim. Pude provar e comprovar isso!

O mega evento ocorrido nessa semana, não teve uma equipe de cerimonial muito articulada, o que resultou em atrasos de horas na programação diária. Azar o meu, que por não possuir um veículo de locomoção próprio, paguei certos "micos" como ter que sair no meio da sessão de filme como o de Walter Lima Jr. Eu, ser estranho, levantando e saindo de um teatro lotado com quase 1300 pessoas! Precisava pegar o busão!

Depois de vergonhas como essa, decidi abrir a mão e me planejar pra pegar um taxi no final da programação de ontem. Precavida que sou, falei antecipadamente com um taxista que me passou o celular de vários taxistas da cidade. Seria só chamá-los.

O filme "Feliz Natal" de Selton Melo (depois escrevo sobre os dois) terminou à quase meia noite. Kamis, minha irmã e eu, fizemos uma social no hall do teatro e decidimos ligar para os tais taxistas. Nenhum atendia os celulares, telefones fixos, sinal de fumaça e nem nada.

Nos dirigimos até a rodoviária e encontramos um guarda municipal que fechava os portões do tal Rodoshoping de Paulínia. "A rodoviária fecha a meia noite, jovens!". Essa boa alma, Seo Odair, percebeu que estávamos perdidas em todos os sentidos. "Não, não vou deixar vocês, duas jovens sozinhas aqui". Resultado: "Seo Odair" chamou uma viatura que nos trouxe até Sumaré (e levou também duas meninas de São Paulo para um Hotel da cidade. Elas não tinham condução para levá-las até lá e estavam com medo de ir a pé, numa avenida que não tem iluminação).

Tá aí, Paulínia não está "acostumada" a abrigar grandes eventos (ainda não acredito que não havia taxistas espertos atentos ao evento), mas ainda abriga pessoas de boa alma, como o policial Seo Odair e os outros da viatura!

Grande experiência a de andar em uma viatura de bancos duros e vidros à prova de balas, "que é pra pegá os ladrão, né"?!

E os filmes, o principal? Depois escrevo sobre. Muito, muito bom!

Friday, March 21, 2008

Sobre cinema, debates e conversas

Pelo menos duas frases interessantes que ouvi essa semana:
***********************************************“O bom do cinema é que nele você pode fazer o que quiser”
Frase do filme Baixio das bestas, repetida pelo seu autor (e diretor do filme) Cláudio Assis, em debate nEspaço Cultral CPFL.
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“Eu fiz cinema, C.petit !!! Ele está gravado minha cabeça. Talvez um dia eu faça filme, mas cinema eu já faço!”
Frase de um certo rapaz muito (mas muito) especial durante conversa pelo telefone.

Monday, March 10, 2008

Sobre o filme "A alma do osso"

Ermitão, segundo o dicíonário, é a pessoa que vive no ermo, solitário. Dominguinhos da Pedra, personagem do documentário “A alma do Osso” vive solitário numa caverna do interior de Minas Gerais. Por isso, pode ser considerado um ermitão.

O documentário de Cao Guimarães, logicamente, fala da solidão. Vem a desvendar a verdadeira faceta de alguém que escolhe ou é levado a viver só. A história de Dominguinhos, retratada primeiramente por imagens em super 8, repleta de texturização, coloca em imagem e movimento os delírios onde está contida as indagações, medos, sonhos do personagem.

O corpo de Dominguinhos fala.. Seus pés, unhas, postura, ações lentas dentro da pequena caverna, contam a história de Dominguinhos. Em um primeiro momento (e talvez também em um segundo) não são necessárias palavras. A paisagem local e o cenário de vida daquele ermitão são partes dos membros que compõe o homem Dominguinhos.

Cao parece testar o espectador, apresentando o personagem nos 15 minutos iniciais através do ritual do café da manhã. Ali, o diretor oferece elementos para formular um porquê de se viver assim. Talvez a frase de Guimarães Rosa “Solidão é gente demais”, pode ajudar a pensar que Dominguinhos poderia ser um homem com aversão à pessoas. Porém, seja lá qual for a idéia que se tenha no final daqueles 15 minutos silenciosos do documentário, esta é quebrada com a confirmação de que o personagem é na verdade, uma apreciador de uma boa prosa, de um bom bate papo.

Dominguinhos tem medo. E confessa aos turistas visitantes seus medos através da história do homem que mataram sua carne, mas não seus ossos e que por isso, não morreu e sobre a luz do corisco. Os turistas, atrás da cerca, observam, escutam as palavras balbuciadas pelo velho homem e depois se vão. Dominguinhos confessa no olhar sua solidão. Ele é “A alma do osso”, não só pelo seu corpo magro, mas pela vida de quem tem sua carne ignorada pela comunidade como morta, mas que mantêm seus ossos vivos: Dominguinhos não morreu.

*Texto elaborado a partir de decupagem feita em classe, pelo diretor Marcelo Gomes e de algumas tantas idéias e opiniões minhas.

A alma do Osso. Cao Guimarães. 2004. 74min.Vencedor do prêmio de melhor filme nacional e estrangeiro do Festival "É tudo verdade" em 2004. Infelizmente, inédito nos cinemas do país,

Monday, January 21, 2008

Sobre Mutum

Palmas, palmas e mais palmas para Sandra Kogut, diretora do Filme Mutum e palmas para João Guimarães Rosa, escritor (meu predileto) de Campo Gerais ou Manuelzão e Miguilim, livro no qual Sandra se baseou pra fazer o filme. * * De se emocionar do começo ao fim da película. E depois, ao relembrar também (sabe comé...eu choro muuito!!)