Thursday, May 22, 2008

Maio de 68 (2008) - 1

Na terra de cegos
quem tem um olho
EMIGRA!!!

Sunday, May 18, 2008

Funk como le gusta

Não tem caixa de som que não balança!!
Fotos: Alguns anos átras, por Evinha

Saturday, May 03, 2008

Agrishow

É...eu adoro Ribeirão Preto!!!
Eu nem importo se nessa ultima semana, São Pedro nos agraciou com uma puta chuva que fez com que, pelo menos duas calças minhas e um minha bota esteja besuntada de lama.
Eu nem me importo de ter dormido mal e estar com torcicolo.
Eu nem me importo por ter usado um uniforme estranho que me deixava parecendo um machinho.
Eu nem me importo por estar com os cabelos sujos e unhas encardidas!!!
Porque o que realmente importa é que o povo de Ribeirão me fez feliz. Deixa eu explicar..
O garçon do Pinguim queria me impedir de beber uns copinhos de chopp!!! Porque?! Ele achou que eu tivesse menos de 18 anos!! Eu, "di menor", com 26 anos!!!
Ganhei a semana!!
Ah, Jojo. A expressão "Bem" ainda está em uso aqui em Ribeirão. Ouvi algumas vezes...Também não dirigi trator. Mas peguei carona no trio elétrico da Massey, serve? (me senti a Ivete Sangalo!!..rs)
Carona no Trio Elétrico: Céu azurrrr
Furia de São Pedro: Agrilama
Pé de barro!

Barro?

As nossas meninas Jerseyzinhas!

Friday, March 21, 2008

Sobre cinema, debates e conversas

Pelo menos duas frases interessantes que ouvi essa semana:
***********************************************“O bom do cinema é que nele você pode fazer o que quiser”
Frase do filme Baixio das bestas, repetida pelo seu autor (e diretor do filme) Cláudio Assis, em debate nEspaço Cultral CPFL.
************************************************************************************* *************************************************************************************
“Eu fiz cinema, C.petit !!! Ele está gravado minha cabeça. Talvez um dia eu faça filme, mas cinema eu já faço!”
Frase de um certo rapaz muito (mas muito) especial durante conversa pelo telefone.

Thursday, March 13, 2008

Sobre sabedoria popular brasileira

Chuva, congestionamento na Av. Brasil, ônibus lotado.

Motorista fala para os passageiros que estão lá na frente:

- Êh chuvão..Quando eu era pequeno, minha mãe não deixava eu brincar na chuva. Ela dizia que era perigoso, pois se aparecesse um arco-íris, eu poderia passar embaixo e virar mulher. Homem virava mulher, mulher virava homem. Eu tinha medo. Saudade de minha mãe...

Ele pensa um pouco e continua...

- Se bem que hoje, se contassem essa história ninguém teria medo. Tem mulher que é homem, homem que é mulher. Sei lá...Talvez esse povo doido são os que passaram por baixo do arco-íris...

O ônibus caiu na risada. E seguimos viagem...

Engraçado, como tem gente que não consegue notar o valor e a riqueza de um bate papo, de um causo que escutamos por aí...

Eu faço questão de ficar com os ouvidos bem abertos pra eles. Adoro

Monday, March 10, 2008

Sobre o filme "A alma do osso"

Ermitão, segundo o dicíonário, é a pessoa que vive no ermo, solitário. Dominguinhos da Pedra, personagem do documentário “A alma do Osso” vive solitário numa caverna do interior de Minas Gerais. Por isso, pode ser considerado um ermitão.

O documentário de Cao Guimarães, logicamente, fala da solidão. Vem a desvendar a verdadeira faceta de alguém que escolhe ou é levado a viver só. A história de Dominguinhos, retratada primeiramente por imagens em super 8, repleta de texturização, coloca em imagem e movimento os delírios onde está contida as indagações, medos, sonhos do personagem.

O corpo de Dominguinhos fala.. Seus pés, unhas, postura, ações lentas dentro da pequena caverna, contam a história de Dominguinhos. Em um primeiro momento (e talvez também em um segundo) não são necessárias palavras. A paisagem local e o cenário de vida daquele ermitão são partes dos membros que compõe o homem Dominguinhos.

Cao parece testar o espectador, apresentando o personagem nos 15 minutos iniciais através do ritual do café da manhã. Ali, o diretor oferece elementos para formular um porquê de se viver assim. Talvez a frase de Guimarães Rosa “Solidão é gente demais”, pode ajudar a pensar que Dominguinhos poderia ser um homem com aversão à pessoas. Porém, seja lá qual for a idéia que se tenha no final daqueles 15 minutos silenciosos do documentário, esta é quebrada com a confirmação de que o personagem é na verdade, uma apreciador de uma boa prosa, de um bom bate papo.

Dominguinhos tem medo. E confessa aos turistas visitantes seus medos através da história do homem que mataram sua carne, mas não seus ossos e que por isso, não morreu e sobre a luz do corisco. Os turistas, atrás da cerca, observam, escutam as palavras balbuciadas pelo velho homem e depois se vão. Dominguinhos confessa no olhar sua solidão. Ele é “A alma do osso”, não só pelo seu corpo magro, mas pela vida de quem tem sua carne ignorada pela comunidade como morta, mas que mantêm seus ossos vivos: Dominguinhos não morreu.

*Texto elaborado a partir de decupagem feita em classe, pelo diretor Marcelo Gomes e de algumas tantas idéias e opiniões minhas.

A alma do Osso. Cao Guimarães. 2004. 74min.Vencedor do prêmio de melhor filme nacional e estrangeiro do Festival "É tudo verdade" em 2004. Infelizmente, inédito nos cinemas do país,

Friday, February 29, 2008

Sobre a conjuntivite

Doença que aflige meus olhos há pelo menos 3 semanas!!! Doeu, coçou e nesse meio tempo criou uma nuvem nos meus olhos.

A nuvem conseguiu fazer com que tudo parecesse um sonho. Sonho com direito à bons momentos, lindos gestos e agora, um belo pesadelo.

Já sei que a nuvem está passando, mas o céu que se abrirá é diferente. O sol deste céu é forte, arderá as minhas pupilas. Isso dói também.

E aí enxergarei que o pesadelo nem é tão feio assim....Quem sabe nem seja um pesadelo!!

Talvez o susto, o medo do novo, o medo do desconhecido, me fizeram pensar assim. Logo meus olhos se acostumam.

É tempo "de mim".

Monday, February 18, 2008

Sobre Berlinale

Abaixo os vencedores da 58º Edição do Festival de Cinema de Berlim:

Urso de Ouro: "Tropa de Elite", de José Padilha (Brasil).

Prêmio Especial do Júri: "Standard Operating Procedure", de Errol Morris (EUA).

Urso de Prata de Melhor Diretor: Paul Thomas Anderson, por "Sangue Negro" (EUA).

Urso de Prata de Melhor Ator: Reza Najie por "Avaze Gonjeshk-ha" ("The Song Of Sparrows"), de Majid Majidi.

Urso de Prata de Melhor Atriz: Sally Hawkins, por "Happy-Go-Lucky", de Mike Leigh.

Urso de Prata de Melhor Roteiro: "Zuo You" ("In Love We Trust"), de Wang Xiao Shuai.

Urso de Prata pela Contribuição Artística: "Sangue Negro" (EUA).

Prêmio Alfred Bauer: "Lake Tahoe", de Fernando Eimbcke (México).

Prêmio da Crítica Internacional FIPRESCI: "Lake Tahoe", de Fernando Eimbcke (México).

Prêmio Anistia Internacional: "Sleep Dealer", de Alex Rivera (México-EUA).

Prêmio Geração 14plus: "Café com Leite", de Daniel Ribeiro (Brasil).

Friday, February 15, 2008

Sobre o filme Sombras de Goya

No final do filme "Sombras de Goya", do diretor Milos Formam, o destino do personagem de Javier Bardem é celado ao som da trilha da música "El canto de pelele". A canção, que faz parte do repertório das músicas populares da espanha possui diversas variações e, pela minha rápida pesquisa na net, também cantada em manifestações políticas. Abaixo, segue trecho da música na versão apresentada no filme "Sombra de Goya"

El canto de Pelele

El pelele esta malo, que le daremos?

El pelele esta malo, que le daremos

Una zurra de palos que le matemos

Una zurra de palos que le matemos

El pobre pelele tiene empelelao

Se tienta lo suyo, lo tiene arrugao

Le da con el dedo, lo quiere mullir

El pobre pelele se quiere morir.

Francisco Goya. El Pelele, 1792.

Tuesday, February 12, 2008

Sobre os chinelos "baleiinhas"!

Estes são os belissímos chinelos que comprei pela bagatela de R$4,80 em uma das maiores loja de trecos chineses de Campinas.

Sim, minha gente! Aconteceu comigo. Minha rasteirinha quebrou em pleno centro da cidade, justamente no horário que as ruas ao redor da 13 de maio costumam estar lotadas!

Sorte minha, ter a lojinha dos Chineses do outro lado da rua, o que me fez andar mancando só por alguns metros. Sorte minha, ter a companhia da Érika pra me ajudar a rir da cara das pessoas que avistavam o meu chinelinho azul royal por entre o balançar da minha pantalona indiana!Super sexy!!

Tudo bem que os vendendores das lojas que entramos me ignoravam. Tudo bem que eu sentia que os chinelos eram tão fraquinhos que se eu entortasse o pé (coisa bem comum de se acontecer comigo) a baleiinha se partiria no meio.

Nem liguei(mentira). Arrastava bastante os pés pra chocar. As baleiinhas chocavam!Érika tentou me consolar dizendo que o chinelinho era bonito pra se deixar no cantinho do banheiro. - "Pra tomar banho, boba!!"

Me convenceu. As baleiinhas serão minhas companheiras nos próximos dias em que ficarei em casa, com os olhos lindos. Cheios de conjuntivite....

Friday, February 08, 2008

Saldo positivo

-1 bico de quase choro no trabalho -Notícia de um amigo que poderá vir aqui pra perto -Ouvir "Eu te amo" de duas pessoas especiais. -Planejar e concretizar o presente mais "amelístico" que já fiz. -Receber a ajuda de um "anjo Cícero" pra entrega do presente. -Saber que consegui arrancar um sorriso de uma das pessoas que mais amo. Tudo isso valeu (muito) os calor que o all star novo trouxe!!

Monday, January 21, 2008

Sobre Mutum

Palmas, palmas e mais palmas para Sandra Kogut, diretora do Filme Mutum e palmas para João Guimarães Rosa, escritor (meu predileto) de Campo Gerais ou Manuelzão e Miguilim, livro no qual Sandra se baseou pra fazer o filme. * * De se emocionar do começo ao fim da película. E depois, ao relembrar também (sabe comé...eu choro muuito!!)

Thursday, January 17, 2008

Sobre recadinhos pra Manu

No último sábado recebi o anúncio de um presente que em breve se concretizaria:
* Mensagem de celular:
12.01.2008 - 16:49 Manu Flor
Tem como nos vermos amanhã a tarde em Campinas?
*
Manu Flor, é uma grande amiga que fiz por meio do cerébro eletrônico.Em uma brincadeira da comunidade da Amelie Poulain, encontrei e adotei uma irmã. Trocamos scraps, msn, (cartas mágicas) e telefonemas. A Manu mora longe. Ela é a flor mais bonita de Jericoacora e concidentemente, tem parte de suas raizes aqui, em Campinas.
*
Enfim. Manu estava por aqui e no domingo acabamos nos encontrando no shopping Iguatemi.Ela dizia que queria assistir o filme "Garoto Cósmico".Topei, claro mesmo tendo certeza que o filme não estaria em cartaz lá. Na verdade, até duvidei que esse filme viria pra cá tão cedo. Ficamos cerca de duas horas conversando. Tempo pouco. Nos despedimos com dor no coração. Eu, emocionadíssima.Imediatamente senti saudades. Entre as nossas conversas reclamei, de Campinas. Disse que o filme demoraria meses pra chegar aqui e que se chegasse, não passaria ali, no Iguatemi.
*
MANU! O FILME VAI ENTRAR EM CARTAZ AMANHÃ LÁ NO PARADISO!!!
*
Volta pra assistir!!
Volta pra conhecer o Paradiso!
Volta pra conhecer o clube informal!
Volta pra tirarmos pelo menos uma foto juntas!
Volta pra passarmos horas e horas conversando!
Volta pra ver que Campinas nem é tão ruim assim.. é até pertinho de São Paulo...rsrs
*
Saudades já, minha amiga!

Thursday, January 10, 2008

Sobre pé na estrada, Henfil e ouvidos de fofoqueira

Ontem eu e o Lindoviski visitamos a USP. Ele pra fazer a prova específica do vestibular de Audiovisual e eu, além de acompanhar, dar força, carinho e atenção, conhecer a maior universidade do país.
*
Enquanto esperava o tempo das provas, que não eram lá muito sérios e pontuais, observei muito em compania de Henfil e de Guimarães Rosa. Li e me diverti com as cartas de Henrique de Souza Filho - cartunista, quadrinista, jornalista, humorista - para seus amigos e familiares no período em que viveu nos EUA. Tudo no livro delicioso de se ler "Diários de um Cucaracha". E também averiguei umas palavras de João (meu preferido) em "Grandes Sertões: Veredas".
*
USP X UNICAMP
Não posso dizer que conheci muito, mas a viagem até a Poli, deu pra me oferecer a noção de que a USP é grande, muito maior de enorme de grande se comparada a Unicamp. Mas a diferença, termina aí.
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A USP tem o mesmo clima lelé da Unicamp. Mesmo que esteja um sol de rachar o coco em alguns cantos, à sombra, há um friozinho estranho. Imagino que no inverno, a universidade dos Jardins também se assemelhe às temperaturas da universidade de Barão Gelado.
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Lá também tem gramado verde (como no IA), jardins bem cuidados, iluminação diferenciada, restaurantes, lugares com poucas árvores, lugares com muita árvore, gente fazendo cooper, gente fazendo hora (eu!!), gente fazendo nada. Enfim, gentes muito simpáticas e outras nem tanto.
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Documentário
Enquanto o pessoal fazia as provas do vestibular, um grupo de veteranos gravava imagem e entrevistava os futuros bixos pra um documentário. (como eu soube disso? porque além do meu querido ouvido jornalístico os veteranos falavam alto, muito alto, à ponto de tirar a minha concentração na leitura do livro que eu lia).
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Não gostei muito não, sabe? Me incomodava a forma como as sonoras eram feitas. O pessoal entrevistava e aproveitava pra aplicar uns trotes nos futuros bixos. Brincadeiras sadias, mas que na minha opinião acabavam intimidando os candidatos às vagas da USP. Questionava como aquilo poderia influenciar as respostas das perguntas "sérias" que seriam usadas no doc.
*
Depois, mais tarde, quando já tinha terminadado a leitura do livro do Henfil e parti pro de Guimarães Rosa, fui interrompida com um diálogo filosófico que discutia a partir de idéias de Sócrates e Platão a imparcialidade e o conceito de verdade e como aquilo influenciava o modo de se fazer um doc.
*
Tá, a verdade ali no doc, acaba sendo a verdade dos diretores (no caso, veteranos) que iriam entrevistar, captar, editar e tals. E a dos candidatos a bixos (nas sonoras). Mas será que as tais brincadeiras dos veteranos, não poderiam modificar mais as sonoras dos vestibulandos? Será que as expressões, respostas, sotaques, tics, sentimentos dos vestibulandos não estariam infectadas pelo pequeno trote aplicado anteriormente?
*
Não sou contra trote, brincadeiras e essas coisas não. Mas questiono se tudo aquilo era adequado naquele momento. Bom, mas eles podem usar imagens do trote no doc. Aí são outros quinhentos. E então tudo o que eu escrevi é besteira. É Top, top, top pra mim. Enfim, esquece.
*
SP
Ontem notei que prefiro muito mais o centro antigo, cinza e sujo, com direito à Teatro Municipal, Viaduto Santa Ifigênia e do Chá, do que as ruas limpas e verdes dos Jardins. Não sei por que, mas só sei que foi assim.
*
E bom mesmo foi acompanhar Lindoviski. Ver o menino se deliciando de estudar de madrugada, se esforçando pra acordar bem também de madrugada, correr atrás de ônibus na Cruzeiro do Sul, congestionamento, sol quente, se perder e se achar na usp, enfrentar prova, carregar bolsa e mochila pesada, despencar e cochilar no Cristália rumo à Campinas, se arrastar até o ponto de ônibus questionando a pequenice da cidade em comparação à metrópole paulistana e a grandiosidade de Campinas perto de Sto. Antônio de Posse, comer pãozinho de forma com presunto e queijo, tomar um banho e dormir. Tudo isso. E juntos.

Monday, December 31, 2007

Meu porta Curtas

Curta nº01 (É birra comigo, ou esse tal de blog não anda aceitando edições do tipo "ponto, parágrafo, na outra linha?. Hunf!) Clique na imagem e conheça:
Ficha Técnica Produção Ítalo Cajueiro; Fotografia André Cajueiro, Ítalo Cajueiro Roteiro J. Borges;Direção de Arte Ítalo Cajueiro; Animação Ítalo Cajueiro; Produção Executiva Ítalo Cajueiro; Montagem Elvis Kleber, Ítalo Cajueiro;Música Lito Pereira;
Prêmios Melhor Roteiro de Animação no Cine PE 2004
Prêmio UNESCO no Festival de Cinema de São Luís 2004
Melhor Trilha Sonora no Mostra ABCD - Brasília 2004
Melhor Trilha Sonora no Festival de Belém 2004

Friday, December 07, 2007

Sunday, December 02, 2007

Sobre "Yes, nós temos bananas"

Domingo...
de muito sol e pelo menos duas pessoas trabalhando: Lindoviski lá longe e eu cá, escrevendo a matéria da Sigatoka Negra. Não, ela não é uma cantora rapper negra. É uma doença que acomete BANANEIRAS! E eu que falava em vida social....

Sobre a volta da "vida social"

Casa de Alice: Filme sobre dramas de uma família de classe média baixa. Casa de Alice é a primeira obra ficcional do documentarista Chico Teixeira. Na minha opinião, relativamente ficcional. Os personagens, os cenários, as relações humanas nesse filme são tão reais que pra mim, ele tem muito, mas muito de documental!

Thursday, November 01, 2007

Sobre, ou melhor sob o sol escaldante

01
O velho e surrado ônibus amarelo da viação Ouro Verde deslizava a rodovia D.Pedro debaixo do escaldante sol do meio-dia. Não, talvez o relógio já marcasse treze horas, mas o calor alaranjado de cidade do interior teimava em presentear a vida com um sol de meio-dia. Suava. Aquele homem surgira do nada.Era moreno, alto, forte de ombros robustos.Acho que tinha uns 30, 40 anos.Ou mais, não sei.Só sei que ele surgira de lugar algum. Perambulava cabisbaixo pelo acostamento da rodovia de asfalto quente.Levanta a cabeça e ergue o braço. Sinal pro ônibus parar. O motorista, mesmo com a proibição de coletar passageiros fora do ônibus pára.
"Como poderia deixar uma pessoa no meio de uma estrada. E ainda com aquele sol quente!!! Como poderia? É não ter coração!!"
Abre-se a porta.Plac!! Um saco plástico transparente é lançado pra dentro do ônibus.
"Estes são os meus documentos.Vou me matar.Obrigado por parar motorista"
Calmamente o moço segue pela lateral do ônibus.Apesar dos passos calmos, os olhos e a pele seca exalavam pânico. O motorista levanta-se pálido.
"Esse moço vai se matar"
Os passageiros se assutam e levantam-se acompanhando o moço que atravessava as duas mãos da rodovia calmamente.Um, dois, três carros desviam enquanto mulheres e crianças gritavam assustadas no ônibus. O motorista, desesperado, grita para que o moço voltasse. O homem, que já atravessara a rodovia e entrava pela mata, virou-se. Olhou o motorista que acenava. Seguiu seu rumo. Ao pereceber a inutilidade de seus gritos o motorista corre atrás do moço, que já seguia pelo matagal de folhas altas e amareladas da área militar. O motorista adentra a mata, mas não encontra o moço. Tirei os fones do mp3, que nesse momento tocava sabe lá qual música (e quem poderia ouvir música naquela momento)e liguei para a polícia.
"Calma moça, já estamos indo aí"!!"Ele vai se matar, ele vai.Os olhos dele.Ele está deseperado..venha logo por favor".
Eles demoraram. Muito. Tanto que o ônibus teve que seguir, deixando o fiscal da empresa de ônibus com o saco com os documentos daquele senhor. No saco plástico, RG, Cartões de Crédito, carteira de trabalho e um curioso contrato de compra e venda de uma propriedade. Um contrato de compra e venda. O que ele queria dizer com isso. Qual a história que ele suplicava que entendessemos? Valdir. Tinha 35 anos. Era motorista de ônibus e mês passado recebeu aumento de salário.Era de Sergipe. Os contatos, telefones num pequeno papel era "de mãe", irmã, fulano...todos números com prefixo oitenta e alguma coisa. Talvez ele fosse só. Talvez quisesse voltar. Talvez não. E o contrato? O que era aquele contrato. Minha curiosidade segue. Não ficou pra trás junto com as imagens e sensações do sol escaldante daquele domingo seco. Se ele queria mesmo se matar? Concordo que não. Talvez ele só queria uma coisa, ele pedia...Socorro.

Friday, October 05, 2007

Sobre visões da minha janela no trabalho

Pequenices ...
Em meio a uma mesa lotada de trabalho eis que "escuto" essas imagens. Ali, paisagens da minha janela..
Imaginem o som desses pequenos brincando por entre o tronco e os cipós da nossa árvore centenária....
Beijos "Paratodos"